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Terça-feira, Novembro 10, 2009
Eu vejo um e-mail e saio correndo para responder; paro o que estiver fazendo - seja o que for - e leio já pensando na resposta. Nem sempre a resposta é imediata, mas, certamente, me empolgo demais quando vejo um e-mail. Fico pensando se considero uma possibilidade para que a minha escrita encontre um leitor. Talvez, sim. Ou talvez eu goste tanto de escrever que é como se exercitar... eu preciso porque preciso, se não eu atrofio e sinto dores.
É, acho que funciona mais ou menos assim.
Escrever é uma arte, um ofício, como já diria o Jota Quest. Na verdade, eles dizem que é o amor, mas como um dos nomes do amor é escrever para mim...
Gosto e preciso de escrever, mas isso eu já disse muitas vezes.
Estou fazendo um trabalho agora, e preciso voltar para ele.
postado por: ROBERTA GAVAZZONI 9:08 PM
Segunda-feira, Novembro 09, 2009
Em muitos momentos, eu não sei o que dizer.
Então, por que não fico calada? Por que não repreendo e paro de falar imensas bobagens que me vêm à cabeça? Eu já entrei na fila hoje umas mil vezes... parece que quero e que gosto de sofrer. Mas, não é verdade. Eu estou tentando fazer o melhor.
E só bato com a cabeça na parede.
Senti-me melhor no final da tarde, início da noite e fui à academia. Meus olhos, invariavelmente, encheram-se d'água porque ando captando, por alguns segundos, pensamentos. Estou me sentindo uma aberração. Ouvi respostas das outras pessoas, respostas que dariam a mim, e parei. Não quis mais refletir sobre o assunto. Há algum neurônio em mim muito mais sensível do que para o resto do mundo. Dá vontade de morrer, às vezes. Mas, não desejo isso de verdade. Só queria me esconder e chorar e gritar, até a voz enrouquecer e eu saberia que era a hora de voltar para casa.
Eu quero chorar.
Chorar.
Chorar.
Chorar.
E vomitei no meio do meu quarto, com uma tristeza enorme - como se fosse o meu peito saindo pela minha boca. Corri para a cozinha, peguei um pano com detergente e álcool e limpei a sujeira. Imediatamente, me senti suja, idiota e burra. Por que confiar nas pessoas? Percebi que estava fazendo escândalo dentro de mim, continuar a limpar o quarto e fui para a cozinha despejar a sujeira e desinfetar os panos.
Deitei na cama após me limpar e escovar os dentes. Meu cabelo pesava e gritando, pedindo pelo secador.
Não estou chateada com ninguém em particular. Só acho que me mete demais aonde não devia. E me sinto idiota, porque as pessoas têm vida, independente de mim, e queria que algumas tivessem a vida tão entrelaçada a mim que eu sofro. Sofro porque sou egoísta e mesquinha. Uma total loser.
Minha cama me chama. Quero correr pra ela, agarrar os travesseiros de astronauta e chorar. Eu preciso. O estresse está me consumindo. Minha mãe acha que deve ser esse um dos fatores para a gastrite ter atacado. Ela disse estar preocupada, mas, meu corpo não. Ele quer morrer, ou ser um monstro de vez. Talvez essa segunda hipótese fosse mais fácil, mas eu não vou me entregar.
Continuo ouvindo música... na verdade, nada sai das caixas de som do meu computador ou do iPod, mas, meu coração martela a Somewhere in Time...
Eu queria voltar, fazer tudo diferente e não chorar tanto.
Eu me sinto uma pateta.
Eu sou idiota, pateta e burrinha.
Tadinha da Roberta.
postado por: ROBERTA GAVAZZONI 11:19 PM
tem gente que é idiota, que gosta de sofrer e não satisfeito em sofrer uma, entra na fila de novo e de novo.
Sabe quando nós estamos sendo absolutamente idiotas - quando colocamos aquela música que sempre choramos e ainda a colocamos no replay -, mas não queremos deixar de sê-los? Pois é. Isso que eu chamo de querer ser idiota e ainda entrar na fila para sê-lo de novo.
E isso acaba de acontecer comigo.
Estou eu estudando Processo Penal, que, graças ao bom Deus, eu estou entendendo e está tudo ficando mais claro (estou pegando no tranco, ainda bem) e começo a ouvir meus CDs. Por enquanto, ouço o de sempre. Milk Inc, Ark, Wagner... E, droga! Quando começo a ouvir Somewhere in time, na faixa 15, do nosso terceiro CD! Que droga! Esse CD é lindo, mas me deixa muito deprimida. É impossível não chorar com a dobradinha de Here With Me (Dido) e Somewhere in time (John Barry). E, depois que termino, e penso que acabei de sofrer, decido me levantar e trocar o CD. Qual eu coloquei? O da trilha-sonora do filme: "Somewhere in time", CD recheado de músicas que me fazem chorar... Que ótimo. Que idiota. Entrei na fila duas vezes, e, na terceira, quase me expulsam por ser tapada.
E, quando eu fico assim, qual é o melhor lugar para depositar minhas lágrimas, agonias (sem que ninguém saiba, pelo menos, não na hora em que deleito-me por sobre meu teclado surrado): venho aqui. Meu Deus, quantos posts eu escrevi em dois dias?! Estou exagerando. Mas... se ninguém lê e esse blog é como uma válvula de escape de mim para mim, acho que está bom. Que venham as outras vezes, então.
Então, é isso. É só o registro do quão idiota eu posso ser.
Idiota, idiota,
idiota. Esse último mereceu itálico... e olha que morro de preguiça em fazer isso.
postado por: ROBERTA GAVAZZONI 5:57 PM
Estou quase no fim d'A mulher do viajante no tempo. Henry ainda não morreu, mas o fará em breve. Falo isso de forma estranha, como se tudo sempre levasse à sua morte - e, de certa maneira, na minha hermenêutica a partir de tudo, é o que eu acontece. A intensidade das emoções, o querer ficar com Clare, dos dois terem a Alba, o Henry deixar a Clare confortável... talvez tudo girasse para uma vida que pudesse ser mais fácil, quando ele não estivesse mais.
Sei que quando leio livros, converso com os outros - e comigo mesma, como não poderia deixar de ser - sobre eles. As pessoas me olham com o canto dos olhos sempre que levo um livro diferente nos braços no estágio e na faculdade. Não consigo deter essa vontade louca em ler. Já há mais alguns me esperando.
A mulher do viajante no tempo (que nunca coloco em itálico ou sublinhado ou entre aspas por pura preguilça e não por desconhecer a regra) é um livro que não queria parar de ler. É um romance mais real, apesar do Henry ser um IDC. Às vezes, mais real do que Edward Cullen. Na verdade, absolutamente mais real do que ele e de tantos heróis. Henry é homem, gosta de mulheres e do que pode fazer com elas. Quando encontra a mulher certa, a Clare, fica com ela, e tem relações sexuais - que são verdadeiros casos de amor quando se deitam, de tão apaixonados - e uma vida normal. Emprego, casa, amor. Cuidam da criança, fruto desse amor. Só querem escapar da morte, que os espera vestida de calcinha, lendo as palavras-cruzadas da semana passada. É um livro adulto, sem dúvida. Não é para o mesmo público que gosta da Bella Swan e de Edward Cullen, ou mesmo, do Jake. Mas, eu gosto. Gosto bastante, porque eu não sou encerrada aos livros infantis ou infanto-juvenis.
Como eu disse, eu me perco nos livros, nas músicas e nas óperas. Mas, acima de tudo, e reitero: meus livros são meus sonhos e meus pesadelos.
Eu estou me sentindo melhor, com menos dor de cabeça, mas a barriguinha reclama a arde. Eu quase escuto a sua voz, ilhada nesse pesadelo que é a dor incessante.
Olho o relógio e vejo que tenho que correr. Preciso estudar, agora, pra depois ir à academia e estudar mais na volta e começar a fazer o trabalho. Por isso, estou com casa - não é só por isso, mas eu estou com medo do final do semestre. Muito medo de ficar aqui, toda enrolada, e não conseguir atravessá-lo.
Vou, por isso. Com medo de perder o que eu escrevi e do que senti. Mas, acho que isso ninguém pode me tirar.
postado por: ROBERTA GAVAZZONI 4:15 PM
Sinto uma necessidade enorme de escrever, que há muito tempo não sentia brotar em mim, assim de uma forma tão áspera. Não ando tendo sonhos muito bons e acho que estou doente. Não do tipo que vai morrer, ou que precisa de muitos remédios. Simplesmente, doente. Doente no sentido de não estar saudável. E, é claro, isso implica muitas coisas. Tenho medo de não chegar viva ao final do ano. Mas, eu espero conseguir.
Prossegui na leitura d'A mulher do viajante no tempo. Estou numa parte em que não lembrava direito do filme (pois é, eu assisti primeiro o filme, que, na verdade, foi a razão pelo desejo do livro), em que o Henry tem seus pés amputatos. É triste e eu fiquei com água nos olhos. Acho que no filme, ele só fica na cadeira de rodas, mas, no livro, ainda estou na cena do hospital. É incrível como ver o filme e ler o livro trazem uma sensação de deja vù, talvez a mesma que a Clare sinta com relação ao Henry. É como ver as mesmas coisas, só que por perspectivas diferenciadas. Só posso concluir que ambas as obras são excelentes.
Eu acordei de manhã passando muito mal. Meus olhos doíam porque eu sabia que viriam lágrimas logo em seguida. Queria ficar sozinha, não ter que encarar aulas e nem colegas. Sinto minha barriguinha arder, especialmente onde está o estômago. Não sei o que eu tenho, e tenho medo de saber. Não é contagioso, eu acho; mas, se for o que penso, não queria ter a certeza. Para tanto, farei alguns demasiados exames durante a semana. Além disso, meu exame de sangue não está bom. Estou com uma anemia pior do que estava antes. A perda de sangue foi grande nos últimos cinco dias.
A vitamina C não adianta, então, deixei de tomá-la. A auto-estima está baixa, e eu me sinto sozinha. Não porque de fato estou, mas porque me sinto. Sinto-me perdida na faculdade, no universo dos livros, sinto estar fazendo e propiciando mal a quem eu gosto de verdade. Tenho medo de, no final, ser um peso morto de papel, que nunca deveria ter nascido. Isso me deixa triste e com muitas lágrimas nos olhos.
Não queria parar de escrever, e nem acho que devo, porque é através da escrita que conheço mais de mim e do que sinto, mas preciso parar porque sei que não poderei parar quando o tiver que fazer. Então, melhor que seja agora, enquanto eu ainda posso. Estou com medo de ser quem eu sou. Eu sempre tive esse medo, mas acho que ele está mais intenso, agora.
postado por: ROBERTA GAVAZZONI 4:05 PM
Domingo, Novembro 08, 2009
Eu escrevi mais cedo aqui. Mas, o blog não postou e agora estou desolada.
Tento reproduzir, é claro, mas, não consigo. É mais do que frustrante...
O sol estava raiando ainda, e, por mais que as pessoas o considerassem à hora como uma dávida, eu o tinha como o marco de mais de um dia - de sofrimento, lamúria e não-aceitação para um recomeço.
Eu havia escrito um post imenso - e adoraria reescrevê-lo -, mas não posso mais tê-lo aqui. Eu simplesmente aceito esse fato.
A vida foi muito generosa comigo esses dias, mas, parece que agora, retira, paulatinamente, tudo o que me deu. Ela me deu a carteira de motorista, mas me tirou a possibilidade de dirigir: meus pais não querem que eu dirija o carro deles, e nem minha avó, e nem meu pai concorda em me dar um carro. Ele considera um erro. Às vezes, penso que era mais cômodo para ele que a carteira não existisse; assim, ele não precisaria refletir sobre isso. Não tenho certeza se ele reflete, ainda assim. Mas, com certeza, ele me enxerga como estorvo. Ele já disse isso. E não foi somente uma vez. Penso que ele me odeia, e que seria melhor que eu nunca tivesse nascido. Nunca terei certeza de uma coisa ou outra, mas tenho essa sensação freqüentemente. Mais do que freqüentemente depois que comecei a namorar. Namorar um filósofo e paulista, para o desespero dele. De todo jeito, ele trata meu namorado muito bem quando ele vem aqui. Só não aceita bem o fato de eu trocá-lo por outro homem, por assim dizer. Meu pai duvida que eu seja capaz de amar. Pelo menos, acho que é isso. Posso estar enganada, mas como vivo na minha perspectiva, como saberei afinal? Não quero magoar o Lucas, se ele ler isso, porque o amo... Mas, acho que nos últimos dias é só o que eu tenho conseguido fazer. Não gosto de esconder nada dele.
Sou estúpida.
Estúpida.
Cem vezes estúpidas.
Odeio-me por fazê-lo chorar.
Está um caos em casa.
E esse post está diferente - e não poderia ser diferente. De manhã, quando o escrevi, estava atrasada para ir à casa de minha avó, por ordens de minha mãe e de meu pai. Passaríamos o dia lá, onde almoçaríamos. Minha mãe não queria ter trabalho com a louça. Ontem, eu lavei tudo, como geralmente o faço, e, na casa de minha avó, nós fizemos juntas. Não sei qual a grande vantagem nisso, afinal de contas. Minha mãe nunca faz esse tipo de serviço, apesar de esbravejar ao mundo que eu deito em berço esplêndido. Eu estava desesperada porque precisava estudar e queria ficar em casa.
Na verdade, queria ficar o dia inteiro sozinha, sem ouvir quaisquer vozes, simplesmente acolhida em minha cama. Talvez chorar um pouco.
Não consegui dormir bem. Tinha sonhos ruins. Acordava suando, nervosa, mesmo com o ar-condicionado ligado. Meus pais estão na rua, agora. Então, aproveito para escrever. Quando eles voltarem, preciso voltar à minha prisão, que é a minha escrivaninha surrupiada deles, onde estão meus documentos de Direito.
Ando tendo mais deja vùs. Queria saber me controlar. E, não consigo. Isso tudo é muito frustrante.
Enviei um e-mail rápido ao Lucas antes de sair. E briguei com meu pai, dizendo que não iria com ele à casa de minha avó. Por um milagre, ele disse que tudo bem, e foi na frente. Deu-me alguns minutos para relaxar. Foi ótimo. Eu chorei e disfarcei com os óculos de sol. Ultimamente, nossos corpos, desejos e sonhos estão mais do que opostos. Na verdade, eu não o suporto; e ele não me suporta. Só fazemos a mamãe sofrer, porque ela diz (pelo menos, ela diz) que nos ama igualmente e que não quer ficar no meio. Não posso me controlar, não obstante; não com ele criando brigas e guerras toda vez que preciso ver meu namorado, simplesmente porque ele é mais importante do que meu pai. Eu amo o meu namorado. Meu pai não entende isso da forma que deveria entender. Meu namorado me ama; eu o amo, e nós queremos ser felizes. Meu pai tem muito medo do Lucas ir embora, me deixar sozinha, e eu ver que sonhei com alguém que não me amou. Não acho que isso vá acontecer. Meu amor é grande o bastante, por nós dois. E torço para que o dele seja grande também.
Meu namorado é meu companheiro, acima de tudo. Eu o amo desesperadamente. Deve ser difícil para o meu pai aceitar que não sou mais a mesma; que cresci e que tenho uma companhia demasiada melhor do que a dele. Seríamos mais felizes se ele pudesse ser menos egoísta e tentasse não me impedir dessa maneira. Sei que se eu fosse, ele não iria atrás, mas, quando eu voltasse, saberia que as trevas estariam me esperando. Não consigo lidar com ele mais. Tenho medo dele.
Então, eu desisto de mim - e, a cada vez mais que faço isso, vejo meu erro... ele me possui e não me deixa respirar. Eu sinto que estou morrendo asfixiada. E talvez esteja mesmo.
O sol, pela manhã, pairava no meu quarto. As lágrimas que rolavam por entre meus olhos, ainda salgadas, formavam arco-íris. E eu perguntava se deveria levantar.
Fiquei rolando na cama por horas... até o meio-dia, quando me levantei e fui fazer xixi. Outra vez, eu estava ensangüentada. Tomei um banho e me refresquei. Coloquei roupas limpas e me deitei novamente. Fiquei lendo "A mulher do viajante no tempo" e relaxava enquanto Henry e Clare queriam ter um filho. O nascimento de Alba, depois de sete tentativas, foi lindo. E como foi a primeira noite de Clare e Henry juntos, enquanto ela tinha 18 anos e ele tinha 41. Na verdade, a primeira vez dele foi quando ele tinha 28, mas, para ela, ela tinha 18 e foi no aniversário dela.
Sinto-me idiota, às vezes. Eu me perco no mundo literário e esqueço de minha própria vida.
Acho que estou parada no tempo - talvez tenha parado de crescer.
Tenho medo de que as pessoas descubram essas besteiras que escrevo.
Eu sinto muito por ter brigado com você ontem à noite. De verdade, eu não queria; mas, não sei... estou passando por um momento ruim. Estou numa depressão profunda, cheia de medos e castigos me esperando. Tenho medo de não alcançar os resultados que espero (e que meus pais, vaidosamente, também almejam). Tenho medo que tudo dê errado. Não posso perder você. Seria como perder a minha essência. Eu prefiro a morte a perder você.
E, magoar você, é horrível. Eu me sinto idiota, péssima e mal-educada com a vida.
Eu te amo. E, por mais que eu seja idiota, isso não deixa de ser verdade.
postado por: ROBERTA GAVAZZONI 9:08 PM
Sábado, Novembro 07, 2009
O que estou sentindo?
Como se o mundo estivesse desabado, e, ainda assim, depois do meu templo tê-lo ruína por cima de mim, eu ainda estou de pé, com as roupas intactas.
Meu coração, porém, ferido no chão, parando de bater.
Olho para ele, enquanto os rompantes continuam...
Ele não quer ser tocado; ele, simplesmente, quer parar de bater. Ele quer morrer.
Escondo-a na bolsa de palha que carrego, um pouco destruída pelos anos. E corro.
Corro até chegar na praia. Minhas roupas brancas estão manchadas de sangue e estou chorando. Procuro por meu coração na bolsa e vejo que ele não está mais ali. jogo tudo o que tenho na bolsa na areia da praia e não o encontro. Minhas sandálias estão vermelhas, bem como meu vestido - ainda mais vermelhas do que antes. E é nessa hora que levei um tiro no lugar onde ele deveria estar.
Deito-me no chão, ainda cheia de forças. Procuro por ele, e encontro algo palpitando bem perto de onde estou. Arrasto-me com esperança, desejando encontrá-lo logo. Meus pés começam a doer mais do que o normal e tiro as sandálias. O vestido começa a rasgar e eu consigo chegar à coisa que palpita.
As lágrimas são intensas. O sofrimento maior ainda.
Não é meu coração. Não consigo descobrir o que é.
Fico de joelhos e tento buscá-lo, mas não o encontro.
As pedras continuam o seu caminho.
Estou morrendo.
E sem coração.
Deito-me sem esperanças.
E deixo minhas mãos abertas...
Algo vermelho vem em minha direção.
E alguém vem, também.
Será que querem devolver meu coração?
Estou morrendo.
Quase não enxergo mais.
postado por: ROBERTA GAVAZZONI 9:44 PM
Eu simplesmente não sei.
Eu não sei mais o que pensar ou que sentir: isso com relação a muitas importantes coisas na minha vida.
Parece que inseri-me numa confusão sem-fim... o pior: voluntariamente.
Meus olhos estão inchados; estou como calor e desmotivada a estudar. Por mim, eu ficaria deitada em minha cama o dia inteiro e só me levantaria dela depois que o final de semana se levantasse... Por vezes, a semana, a rotina, os afazeres compulsórios são mais cômodos do que essa putativa liberdade que o final de semana nos dá... Ela chega como um xeque-mate na minha vida.
Na verdade, essa liberdade é para estudar.
É só isso que eu posso fazer nos finais de semana - ou dormir, ou até ler um pouco. Só que eu estou sempre atrasada (e deveria estar estudando nesse momento, mas, eu não estou conseguindo me concentrar), e nunca tenho tempo para sair com os amigos ou ir ao bar confraternizar. Sempre achei que a adolescência e os jovens adultos tinham direito de gozar a sua pletitude um pouco, antes das amarras do seu trabalho o tomassem de forma absoluta.
Mas, parece que as minhas amarras chegaram cedo demais. Muito antes que eu mesma tenha decidido que estava na hora.
Consegui tirar a carteira de motorista - e, agora, quando vejo um carro ou uma mulher dirigindo, não me sinto estúpida ou idiota ou as duas coisas juntas. Eu sinto que superei um medo que eu tinha... Desde o ano passado, eu acordei com meu pai que assim que tivesse a minha habilitação, eu teria um carro. E, agora, não mais que de repente, não tenho um carro. E não terei por tempo indeterminado. E, o pior... minha mãe disse que terei que dirigir escondido.
Escondido por quê? Será que dirijo tão mal? Ou meu pai é um egoísta extremado? Ou as duas coisas e razões que desconheço?
Eu não sei o que está havendo comigo. Quero estudar - preciso fazê-lo -, mas a concentração me foge. Deve ser culpa do calor, também. 45ºC e mesmo no ar-condicionado e o cabelo molhado até o meio das costas não é o bastante.
E o pior: minha escrita está péssima.
Encomendei, recentemente, alguns livros na Saraiva, Livraria da Travessa, Livraria Galáxia (uma livraria, aparentemente, minúscula, mas que é cheia de surpresas), Leonardo Da Vinci, vários livros e tenho no coração mais algumas idéias.
Romeu e Julieta, Macbeth, Razão e Sensibilidade, A mulher do viajante no tempo são apenas alguns de minha lista de aquisições.
Peter Pan, Alice no País das Maravilhas e A História Sem Fim são exemplos de desejos.
Gosto de ler.
Gosto imensamente de ler.
Não sei por quê. Mas, acho que a razão encontra-se intimamente relacionada à vontade de fugir dessa vida. Ou talvez... não sei. Será que como futura advogada eu precisarei ler tanto assim? Talvez. Não saberia dizer.
Amanhã, perderei um show. Era o presente de aniversário que eu havia dado ao Lucas. Minha mãe tem a cara-de-pau de dizer que é em razão da gripe suína, mas, por mais que também seja verdade isso, qual é a maior verdade? Meu pai não quer que eu perca aula na segunda-feira. Tudo bem, eu entendo que eu não deva perder aula porque estou com sono ou com preguiça de ir. Mas, mesmo doente, eu fui a todas as aulas esse semestre. Só faltei à uma aula, quando fui fazer a minha prova de motorista, durante todo o semestre. E uma revisão de Direito Empresarial porque a gastrite estava muito forte. Eu estava muito estressada. E quando isso acontece, meu corpo desregula e eu me torno mais idiota do que o normal.
Não sei como meu cérebro funciona, mas, naturalmente, não deve ser como para a maioria das pessoas. Ele é desregulado... na maior parte do tempo. Ele gosta de ser distraído com livros e com palavras difíceis. Ele fica extremamente satisfeito quando as pessoas não entendem a ordem de seus pensamentos e as remetem para o dicionário. É uma sensação de superioridade forjada; apenas para a camada mais superficial de mim se distinguir dos outros.
Eu poderia ficar aqui durante horas escrevendo... na verdade, eu não sei o que estou sentindo exatamente. Mas, eu preciso desabafar para conseguir me concentrar novamente, então, estou simplesmente falando e falando. Não quero conversar com ninguém no momento.
O Lucas não me ligou na hora que disse que faria. Fiquei triste... Isso acabou comigo. Às vezes, penso que estou muito ligada a ele. Questiono se sou tão importante para ele e se isso acontece com ele. Porque ele é importante para mim e quando ele não faz o que diz que fará, eu fico assim...
...com os olhos inchados e desconcentrada.
Não é culpa dele de eu me sentir assim.
Eu sou idiota em ficar resmungada que ne velha aqui, para uma tela fria de computador. Deveria estar fazendo meus exercícios, fazendo ginástica, lendo um livro, estudando ou escrevendo poesia - e não sentada numa cadeira dura e na frente de um computador, tentando me explicar para mim mesma.
Tudo o que eu sinto, meu coração já sabe. E o que não sabe, descobrirá em breve. Por que o cérebro tem sempre que se meter e impulsionar os nervos a fazerem coisas que eles não deveriam?
Às vezes, penso que sou doente por ser diferente. Não queria ser tão diferente. Eu sofro demais.
Estou esperando há algumas horas e nada.
Estou com medo de tomar a iniciativa - e decido não fazê-lo.
Queria ler mentes, ter teletransporte. Assim, poderia perguntar diretamente o porquê de tudo isso.
Acredito em Deus mais do que nunca acreditei. Estamos sempre conversando, ultimamente.
Ando tendo deja vùs mais do que o esperado. Sei as respostas antes de elas serem proferidas e isso me deixa frustrada.
Tenho agradecido a Deus todos os dias por tudo o Ele tem me dado.
A carteira, momentos com o Lucas, livros incríveis para ler, segurança, roupas, moradia e família. Gosto muito de Deus. Estamos mais próximos do que nunca. Fico contente com isso. Quase nunca menciono Deus nos meus escritos... tenho medo de atrapalhá-Lo, seja lá onde Ele esteja.
Comecei a ler o Apocalipse há alguns dias.
É um livro estranho. Não entendi muito. Mas, faço algumas interpretações interessantes, para mim, às vezes. Não sei se Deus me dá permissão para fazê-las, mas como Ele nunca reclamou comigo, continuo interpretando-a livremente.
O que acontece é que fico exausta depois disso - como se tivesse corrido com um peso relevante nas costas.
Ando com medo de dirigir.
Desde que tirei a carteira, carros me dão arrepios... Por um lado, eu preciso e quero dirigir. Os ônibus no calor de 45ºC do Rio de Janeiro são um inferninho de cheios e eu sempre os enfrento em pé, me roçando nas pessoas que não tomam banho e fedem. Eu sou muito cheirosa. Tenho pânico de cheio ruim. Tomo cerca de 3 banhos por dia, e, em um deles, pelo menos, lavo os cabelos.
Gosto de usar sabonetes líquidos diferentes e alterno os xampus com medo de que meu cabelo não fique liso o suficiente. Eu me importo muito com o cabelo. Não costumo admitir muito para algumas pessoas (só as que me conhecem profundamente sabem que eu detestaria ter outro cabelo que não fosse absolutamente liso para o dia-a-dia). Eu tento não falar essa minha posição para às pessoas, porque tenho medo de magoá-las, mas é o que eu penso. Gosto de cachinhos nos outros e em mim, mas só por um ou dois dias. Mais do que isso, eles me irritam. São difíceis o suficiente para pentear e dão trabalho demais.
Prefiro os meus cabelos pesados e lisos.
Gosto da cor deles, que é castanho-escuro.
Penso no casamento.
É algo... muito... estranho para mim, a não ser do ponto jurídico.
Estou estudando o regime de bens agora.
Antes de 77, o regime legal era o da comunhão total de bens, em que todos os bens, após o casamento, se comunicavam, com alguns exceções, previstas em lei.
Agora, para a união estável e para o casamento, o regime legal de bens é a comunhão parcial de bens. Outro pode ser estabelecido pelos nubentes no pacto antenupcial. O regime de participação final nos aqüestros é o mais moderno e o mais justo para a minha professora, e o estamos estudando, na sala de aula. Como estou atrasada, ainda estou na comunhão parcial de bens, lá pelo art. 1658 e seguintes do Código Reale.
Já são 17:02h e ele não me ligou. Estou há 20 minutos escrevendo este post, na esperança de que ele me ligue.
Não sei por que ele não faz isso.
Fico irritada.
Quero me distrair.
Quero poder ficar bem sem ele.
Não sei o que ele está pensando e sentindo, agora.
Não sei se ele sente a minha falta.
Não sei se ele queria que eu estivesse com ele.
Não sei se ele...
Bom.
Tenho medo de perdê-lo e ando sonhando com isso, às vezes.
Mas, essa noite, sonhei que estava, de novo, numa imensa loja. E essa loja só tinha artigos de Sailor Moon. Já é a quinta ou sexta vez que sonho com essa loja, esse semestre. Os produtos variam. Eu me vejo na vontade de comprar todos... mas, não compro, não sei por que razão.
São 17:04h e ele entrou no msn.
Veio falar comigo agora. Que bom.
Em breve, acho que lerá este post, mas acredito que não comentará explicitamente.
Acho que tenho medo de ele comentar.
Acho que ficarei envergonhada.
Talvez eu esteja enganada. Estou demorando a responder porque estou escrevendo e ele me manda outra mensagem. Vejo o que é. Ele me pergunta se estou 'lá', ou melhor, sentada na cadeira, lendo o que ele escreve, já que meu status está como ocupada (estudando). Na verdade, não sei se estou nenhuma dessas coisas.
Ainda não respondi. Quero terminar isso.
Mas, também, não quero deixá-lo esperando...
Estou com o ar ligado, mas, comecei a suar freneticamente. Não é de calor, eu acho. Mas, de nervosismo. Não sei a razão disso acontecer. Isso nunca acontece.
Acabei de responder e digo que estou no msn.
Não sei se ele acha que fui fria, mas digitei o mais breve possível para voltar aos meus escritos. Ele responde. Pergunta se está tudo bem...
Eu penso no que eu poderia responder, mas, falarei o de sempre. De um jeito ou de outro, ele descobrirá o que eu estou sentindo quando ler isto. Decido responder que estou bem e espero a resposta dele. Educada e amorosamente, eu retruco a pergunta, fazendo-a a ele, que ainda não respondeu.
Sinto-me estranha em escrever assim, quase que em duas perspectivas. Acho que os livros têm um grande poder, no final de contas, sobre mim. E isso é culpa d'A mulher do viajante no tempo.
Ele respondeu.
Pergunta como estão os estudos... Tenho vontade de dizer: "a família vai bem, está na barra'', mas decido não fazer piada e digo a verdade. Digo que estava estudando, mas que parei por alguns momentos. Estuei muito pouco, na realidade, mas, não deixei de estudar. Não considero isso uma mentira, então.
Pergunto como foi o almoço, que ele sempre faz a família, no domingo. Eles gostam de comer salada e carne. Gostam de comer nos mesmos lugares. Acho isso interessante. Faz-me lembrar de que meu almoço também foi carne e que a louça já está lavada e seca e a mesa posta para a próxima refeição.
Isso também me lembra que eu tenho que passear com a Sophie daqui a pouco.
Isso, sim, me deixa preocupada, porque eu preciso estudar.
E decido parar de escrever aqui.
Eu preciso estudar.
Agora.
postado por: ROBERTA GAVAZZONI 5:13 PM
Sábado, Outubro 24, 2009
Esse contexto que me envolve é corrompido; ele e eu somos intrínseca e extrinsecamente divergentes - tão divergentes que sequer a borda de nossos anseios tange-se, ainda que da maneira mais preliminar plausível.
Sinto-me deslocada, fora de propósito - um texto escrito aquém ou além de seu tempo, resguardando valores outrora esquecidos e agora escassos. Sinto-me alheia às decisões, como se minhas necessidades e brevidades fossem negligenciadas, a fim de o fulcro desse-se sob outra vertente, tão demasiada assustada, sem minha voz para regê-la.
Sinto-me descontente, pois inútil sou neste contexto, sob meu sepulcro natural. Arrancam-me a vida em propósito alheio ao meu, sob a alegação de que minh'alma faz jus às indagações prometidas e por eles profetizadas.
Estou aquém de suas expectativas, delineadas para mim, visando a eles próprios, e, quando rebelo-me liminarmente, sou desleixada e sem causa; a alteração de minha voz é sempre infundada, de modo que esses desejos devem imediatamente ser reprimidos.
Não me respeitam as escolhas - competem-se, por vaidade e especialmente por inveja. Não consigo mais suportar tamanha desmedida.
Não quero mais viver sob tortura implícita.
Quero ser livre para pensar; para agir; para sentir...
Sem que isso cause choque por conflitar com o que predizem sobre mim.
Eu não sou uma boneca. Eu sou alguém que, ardentemente, suplica pelo direito de ter uma alma própria, sem que lhe seja arrancado o suspiro breve...
Não agüento mais encerrar minha vida aqui... presa às expectativas dos outros, com essas correntes invisíveis que me prendem ao inevitável - porque, por mais que eu corra, jamais estarei livre desta desgraça trágica que me prende, que me domina e, que, naturalmente, me mata...
Nesse contexto na qual a vida me inseriu, eu destôo. E admito ter que agir conforme preleciona a música para evitar sofrimento superveniente; isso não implica necessariamente no não-acreditar que a felicidade existe, pois eu a encontrei - mas, ela é fugaz, e, para encontrá-la, devo arder o contexto...
Queria tanto que pudesse ser mais fácil; que o texto estivesse inserido, invariavelmente, no contexto...
postado por: ROBERTA GAVAZZONI 5:34 PM
Quarta-feira, Outubro 07, 2009
Conselho
Sentei-me próxima às rochas. Mordi os lábios à procura. Queria encontrar. Eu precisava.
O barulho do riacho desenvolvia ondas de energia exaustivas que jorravam, paradoxalmente, de dentro para fora enquanto vinham de influências externas.
Indaguei-me um pouco; procurei um sentido.
Cruzei as pernas. As descruzei. Não sabia o que queria.
Resolvi pensar que, antes mesmo de mudar meu exterior, ou minhas ações que proporcionem mudança no comportamento de outrem, mereço dar uma chance a mim mesma.
Deitei-me próximo às pedras, que, geladas como só elas conseguiam ficar, acalmavam aquela minha energia. O barulho do riacho fazia-me acalmar. Pensar mais de uma vez.
Meus cabelos moviam-se na velocidade do vento.
E eu pensava: “será que algum dia serei amada?”.
E, das trevas, daquele momento inesperado apareceu ele. Montado num cavelo branco,
tudo, tudo por eu estar distraída.
postado por: ROBERTA GAVAZZONI 7:14 AM
Era uma vez,
Uma fanática pela a Alemanha...
Que, tinha por objetivo de vida,
Construir um enorme castelo.
Um castelo em que suas palavras pudessem repousar,
Cantar e sorrir sem medo de ser feliz.
Pura e simplesmente por sua natureza excepcional.
A menina pairou, levou seu indicador para perto dos lábios,
Pressionou os lábios e contou até dez.
“Já sei”, ela disse.
“Tecerei uma teia enorme,
As envolverei com meu perfume e deixarei que vivam em mim.”, completou.
postado por: ROBERTA GAVAZZONI 7:11 AM
Amor sereno.
Seus olhos se julgavam pelo mar;
eram azuis, quase cristalinos.
Pude nitidamente perceber
a pureza de sua alma
cujos desejos pairavam
como o mar.
Cheia de ondas;
Cheia de inconsistências.
Quando finalmente você
se mostrou,
encantou-me com seu
perfume único.
Minhas lágrimas
não puderam se conter.
Chegou perto de mim,
esticou as mãos
e me lançou
junto a seu corpo magro.
De dentro do bolso,
Retirou uma pequena
Caixinha a qual
Protegia um
Lindo anel.
Pegou tão suavemente
meus dedos que parecia
um anjo tocando-me.
Colocou-o por entre meus dedos,
no anelar da mão esquerda.
postado por: ROBERTA GAVAZZONI 7:11 AM
Era uma manhã taciturna
Era uma manhã taciturna, nitidamente ambígua. O sol ainda nem havia erguido seus raios; as ruas ainda contavam com as lâmpadas piscando; pouco trânsito; os passarinhos ainda nem cantavam: todos estavam em suas camas, nos lençóis de algodão egípcio, enrolados ou a um cobertor ou a um ente amado. Todos? Não, nem todos. Havia alguns que preferiam ver de mais perto o amanhecer, sempre estavam às ruas, sentindo o orvalho da noite, sendo livres.
Em uma casa qualquer, as janelas abriam-se. A escuridão estava dando espaço à claridade, aos agitos, à energia, ao calor das pessoas. Pouco a pouco, a luz tomava mais força, cada vez mais, o sol impunha o seu brilho, e, desse modo, as pessoas sentiam-se mais acolhidas do lado de fora das casas.
- É uma manhã maravilhosa, especialmente por tratar-se de um domingo! – exclamava uma senhora cuja idade era desconhecida, já que em seu rosto não havia falhas; provavelmente, com a tecnologia, recorrera às plásticas. Só havia esquecido de consertar os cotovelos, que coitada.
- É verdade, Martha. Veja como a natureza é bela... Por que não saímos para dar uma volta? – ofereceu o marido, aparentemente mais velho do que a senhora sua mulher.
O casal desceu as escadarias que, imperativamente, compunham a mansão – era uma das poucas casas que coexistiam com a tecnologia, com os prédios.
Martha e seu marido andaram pela calçada, já bastante gasta. Fazia tempos que o governo não se preocupava em cuidar do lugar. À medida que iam andando, precisavam lembrar-se das histórias de quando eram mais novos. Viam aos mais novos, correndo; viam-nos acariciando-se, e lembravam-se de si mesmos, naquela idade, que, como dizem as boas pessoas “não volta nunca mais”.
Martha pausou seus passos por alguns segundos. O marido, que era uma pessoa muito atenciosa, respeitou aquela quebra de passos, e decidiu parar. Ao contrário do que seria normal ao marido fazer, ele não se virou. Deixou que Martha falasse o que estava pensando.
A mulher tocou-lhe as costas, de leve. Seus dedos eram como plumas, suaves, macios. Traziam uma calma inalcançável aos demais que não pudessem senti-la.
- Querido – começou a mulher -, precisamos de nossos filhos. Você sabe. – e olhou-lhe nos olhos, com um olhar profundo, como se de sua resposta dependesse o destino de uma nação.
Tanto marido quanto mulher deram-se aos mãos, enquanto do marido a mulher pôde ouvir algumas palavras “Vamos, então”. A mulher encheu-se de alegria. Algo nela havia estava recuperando as energias.
Seu Guilhermino, como era chamado o marido de Martha, pegou as mãos de sua mulher, e a trouxe para perto de si – estando seus corpos absolutamente próximos. Era assim, afinal, que gostavam de ficar.
O casal voltou a casa, de onde partiu com o carro. A pintura estava gasta, pois havia algum tempo que o carro não vislumbrava o orvalho da manhã ou os raios de sol. Fazia anos em que o brilho de um olhar ou o toque suave no câmbio lhe era estranho. Mas, Guilhermino venceu as adversidades e pegou a estrada, que os levava à felicidade mais imediatista possível.
Enquanto o carro, com dificuldade, alcançava os 60km/h, Martha via sua vida passar. Os anos da juventude, os anos de casamento, até que deixou de se lembrar; a mulher fora internada durante anos em uma clínica e apenas hoje, recebera alta do médico.
Ela queria recuperar os tempos perdidos.
postado por: ROBERTA GAVAZZONI 7:08 AM
Terça-feira, Agosto 25, 2009
Naquela época...
eu sou da época em que eu ficava horas pra acessar um site, com a tal da internet discada. tinha que entrar furtivamente, na calada da noite, mas aquele sonzinho sempre me delatava e ganhava prêmios por isso. eu sou da época em que não havia webcams, e quando se falava com alguém via internet, tínhamos que perguntar: ''como você é?'', e quem fosse mais criativo ganhava corações...
eu sou do tipo que vive no passado, mas que coexiste com o presente. eu vivo as regras gramaticais de 1943, quando quero ser prolixa, mas as minhas preferidas são as de 1971.
eu sou da época em que havia instabilidade financeira, do tempo de crises mais profundas... sou do tempo em que nós vivíamos mais do que trabalhávamos, de que ríamos mais do que chorávamos...
eu sou do tempo em que a poesia vigorava na música, da época em que Tom Jobim compôs Luiza, porque era assim que se escrevia... eu sou da época dos trens acentuados... eu sou da época em que amar era mais importante do que qualquer outra coisa.
postado por: ROBERTA GAVAZZONI 8:42 PM
Domingo, Agosto 23, 2009
Sobre os filmes. Não, sobre cinemas:
serei sincera: gosto de ir ao cinema pela companhia. muito raramente vou ao cinema somente pelo filme, senão quando a atmosfera congrega os elementos básicos que compõem o filme, que são a companhia, a alegria de estar com aquela pessoa e, claro, a pipoca... um filme nunca poderá atingir o seu esplendor, para mim, sem que tudo conspire a seu favor.
se fosse pela história, fatalmente - e indubitavelmente - eu preferia ler um livro.
Sobre a música e de seu significado:
a música, ela deve ser sublime, tocar-lhe os sentimentos mais profundos, que despertem a sua verdadeira essência para o renascer de um novo dia...
a música é uma engendragem que move-nos com sua maestria, mas que pouco lembramos ao contemplar as mais belas artes que nos circundam.
é a música, dentre as artes, a mais especial, pois só a ela é facultado tão diretamente essa sensibilização: essa melodia maravilosa e esplendorosa pairando além do ser...
música: você é transcendental.
postado por: ROBERTA GAVAZZONI 3:56 PM